26/07 - 31/07/2016

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Voluntariado: viver a JMJ ao serviço dos outros

2016-07-31 / News


Milhares de jovens participam em cada JMJ como voluntários, para dedicarem a sua vivência nas jornadas ao serviço. Os voluntários em Cracóvia contam-nos como foi a sua experiência

Lúcia Morgado tem 41 anos e é de Viseu, em Portugal, e esteve a trabalhar como voluntária na recepção do Centro São João Paulo II, onde estavam alojados os voluntários da América Latina, Portugal e Espanha, bem como num ponto de informação para peregrinos. Lúcia afirma que a semana das JMJ foi uma “semana cheia de Deus”: “Tudo nos fala de Deus: o Papa, os peregrinos, a rua, os polacos. A segurança tem sido intensa e inibe a proximidade, mas os jovens não deixam de sentir o Papa consigo. Mais, a força da oração e o peso que ela tem, nesta passagem do Papa, está a questionar os jovens.” Lúcia machucou o pé durante a JMJ, pelo que não pode assistir nem à vigília nem à missa com o Papa. Apesar deste obstáculo, diz: “Julgo que saio daqui bem mais rica, espero levar um pouco mais do olhar de Jesus e tentar ser um pouco desse olhar. O facto de ter me machucado fez com que tivesse de acolher isto como um desafio”.

Hadrien Peschart é do sul de França, de Aix-en-Provence, e tem 23 anos, e foi voluntário tanto nas catequeses, como na segurança do Parque Blonia. Hadrien diz: “O princípio dos voluntários é este: colocam-nos onde precisam de nós”. “Já tinha estado nas JMJ de Madrid como peregrino, e inscrevi-me porque queria viver as JMJ sob outro prisma, estando ao serviço dos outros”, diz. No entanto, Hadrien acredita que foram aceites demasiados voluntários para as JMJ: “Quantos mais somos, mais difícil é gerir tudo”. “Ao mesmo tempo, é bonito vermos que somos tantos voluntários”, acrescenta. Hadrien compara o trabalho dos voluntários à história retratada na canção francesa “Le petit âne gris” de Hugus Aufray, dizendo que nos esquecemos muitas vezes das pessoas que têm um papel essencial para o sucesso e a boa organização de muitos eventos, como é o caso das JMJ.

Guillaume Schwartz tem 24 anos, é francês, da região de Bretanha, e foi voluntário no departamento dedicado aos eventos centrais da JMJ. “O nosso trabalho era gerir o espaço VIP e o espaço VIP+ no parque de Blonia. Havia 12 000 assentos, e a nossa primeira tarefa consistiu em contá-los – já tinham sido lá colocados – e a segunda tarefa era colocar garrafas de água por baixo de cada cadeira, e a terceira era realinhá-las [após os eventos] e voltar a colocar garrafas de água por baixo delas.” Para Guillaume, o importante é servir, e não as tarefas em si: “Estamos aqui para servir, o objetivo não é andar à procura da melhor tarefa do mundo... É óbvio que há coisas mais apaixonantes do que gerir 12 000 cadeiras. Mas se as tarefas que levamos a cabo são úteis, não há razões para não nos satisfazerem”. Guillaume admite: “Foi longo, um pouco cansativo, às vezes é preciso tomar iniciativas para colmatar os problemas de organização, não é fácil… mas são tarefas importantes e é isso que importa”. No entanto, confessa que se sente sortudo por ter estado a fazer voluntariado neste departamento: “Na equipa dos eventos centrais, estamos no centro dos acontecimentos, e é uma grande sorte fazer parte desta equipa, porque estamos no ponto central [da JMJ]”.

Os voluntários vão ter um encontro com o Papa Francisco este domingo, dia 31 de julho, após a missa de encerramento das jornadas, na Tauron Arena. Depois destas semanas de trabalho, cada um deles tem expectativas diferentes em relação a este encontro. Lúcia espera “receber um olhar sereno e cheio de esperança”, bem como “encontrar na gratidão a possibilidade de ser mais e melhor”. Hadrien Peschart diz estar “impaciente” para estar com o Papa, e acrescenta: “A primeira coisa que nos vai dizer vai ser “obrigado”. Guillaume Schwartz afirma: “Amanhã vamos ser muito privilegiados, porque seremos apenas alguns milhares... Não estou à espera de nada, estarei lá para receber. Já fico satisfeito por ter a sorte e a honra de me encontrar com ele.” Guillaume concorda com o compatriota, Hadrien: “Acho que a primeira coisa que o Papa vai fazer é agradecer-nos. Talvez não nos apercebamos da ajuda que proporcionamos, mas as nossas mãos, multiplicadas por 19 mil, é algo enorme e inestimável para a organização da JMJ, tanto como as pessoas que trabalharam durante três anos em silêncio.”


Joana Isabel

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